Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas. Mas eles disseram: Não andaremos nele. Jr. 6:16

"Estou crucificado com Cristo" "Ich bin Mit Cruscificado Christus" "Yo estoy crucificado con Cristo" "Ik ben gekruisigd met Christus" "Я являюсь распят со Христом" キリストと共に十字架につけられています。Je suis crucifié avec le Christ 我是與基督釘在十字架上 אני ונצלב עם המשיח

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A César o que é de César

Por Samuel Torralbo

Dentro da história do cristianismo sempre existiu o desafio de identificar e definir critérios de relacionamentos entre os homens e do homem para com Deus. Este desafio torna-se mais urgente no mundo pós-moderno, quando o relativismo é um fenômeno comum e corriqueiro. É relevante e interessante a máxima bíblica que estabelece o modelo relacional entre os homens e do homem para com Deus a partir da resposta dada por Jesus ao questionamento malicioso de alguns fariseus:
“Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar o tributo a César, ou não? Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse: Por que me experimentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um dinheiro. E ele diz-lhes: De quem é esta efígie e esta inscrição? Dizem-lhe eles: De César. Então ele lhes disse: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.” (Mt 22.17-21)
A resposta de Jesus revela o tratamento divino com as contingencias da vida caracterizada pela injustiça, corrupção e desigualdade. Em uma primeira analise esperava-se de Jesus uma revolta e atitude objetiva em relação às injustiças da vida cotidiana. Porém, parece que Jesus não priorizava os sintomas, mas focalizava a causa de toda desigualdade – o pecado. Isto incluía também a forma injusta de relacionamento entre o estado e o povo. Jesus sabia que o imposto cobrado por Roma era arbitrário e injusto, contudo, Jesus conhecia os modus operandis que sempre determinaram os relacionamentos entre os homens extraviados da graça divina – injustiça, escravidão e desigualdade.
Na verdade, a figura de César representava um sistema humano que procurava regimentar os comportamentos e relacionamentos entre as pessoas, inclusive entre a sociedade e o estado. Este sistema sempre perpetuou dentro da historia e se manifestou em diversas formas de governos e maneiras de viver em comunidades, onde existiram sempre os deveres, obrigações e direitos, sendo eles justos ou não. Enquanto isto, o alvo do evangelho sempre foi o estabelecimento do Reino de Deus nos corações humanos para que os reflexos desta nova realidade interna se concretizassem na vida diária das pessoas através da igualdade, da justiça, e da paz.
As obrigações para com César quase sempre foram caracterizadas pela injustiça e desigualdade, expressando apenas o que é comum na vida de uma sociedade que se rebelou contra Deus. Porém, temos a segunda parte da resposta de Jesus aos fariseus como sendo a mais importante: “Daí a Deus o que é de Deus”. Enquanto que, no relacionamento de deveres e obrigações entre os homens e César as coisas acontecem no plano da violência, força e desigualdade, no relacionamento com Deus a dinâmica dos deveres e obrigações deve acontecer no plano da liberdade e da voluntariedade. A diferença é descomunal e incomparável.
Enquanto que, o símbolo do poder humano é o dinheiro, o símbolo do poder divino é a graça. Deus requer a obediência voluntaria, enquanto que, César exige o sacrifício. Mt. 12. 7. Deus espera a adoração em espírito e em verdade, César requer o condicionamento humano para a adoração. Joao 4. 21-23. Deus requer o louvor ao Senhor do Templo, enquanto que César exige o culto e veneração ao templo. Mt 12.6. Enquanto que, César espera por obras de madeira, palha e feno (temporais), Deus aguarda por obras de ouro, prata e pedras preciosas (obras que transcendam o tempo e perdurem na eternidade) 1 Co 3.12
Uma vez definida a diferença básica dos princípios que pautam as obrigações para com César e para com Deus, surge outra incógnita – é possível o homem confundir e dar a César o que pertence a Deus, enquanto que, oferece a Deus o que pertence a César? Certamente que, a ignorância neste assunto pode fatalmente proporcionar esta inversão, conduzindo o homem a dar a César o que é exclusivamente de Deus, enquanto que, oferece a Deus o que pertence a César.
Inúmeras pessoas neste exato momento pensam que Deus é como César e procuram se relacionar com Ele através do medo, barganhas, e sacrifícios. Quantas pessoas estão entregando a glória que pertence somente a Deus para César! Infelizmente o culto a César (ao homem) vem ganhando grandes proporções em muitos redutos cristãos, uma vez que, o culto é exclusivamente de Deus. Várias pessoas atualmente servem a Deus por obrigação como se servissem a César, enquanto que, para Deus tudo deve ser realizado através de um coração voluntário. Quantos pensam que podem chamar a atenção de Deus através de feitos humanos, enquanto que, na verdade Deus habita com o coração contrito e quebrantado.
Sendo assim, devemos a Deus mais do que as coisas superficiais e temporais da vida, mas, sobretudo as coisas que habitam o âmago do nosso ser, que redundarão na eternidade. Porém, enquanto existir duvida entre o que pertence a César e a Deus, certamente haverá a inversão de valores e correremos o risco de dar a César o que pertence a Deus, enquanto que, damos a Deus o que pertence a César. Que o Senhor ilumine com sua palavra e Espírito e nos conduza para a plenitude da consciência e discernimento em Cristo Jesus!
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Samuel Torralbo
é pastor, teólogo pentecostal e colaborador no Púlpito Cristão

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