Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas. Mas eles disseram: Não andaremos nele. Jr. 6:16

"Estou crucificado com Cristo" "Ich bin Mit Cruscificado Christus" "Yo estoy crucificado con Cristo" "Ik ben gekruisigd met Christus" "Я являюсь распят со Христом" キリストと共に十字架につけられています。Je suis crucifié avec le Christ 我是與基督釘在十字架上 אני ונצלב עם המשיח

domingo, 11 de dezembro de 2011

Não faça isso!

“Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Quanto aos moços, de igual modo, exorta-os para que, em todas as coisas, sejam criteriosos. Exorta e repreende também com toda a autoridade. Ninguém te despreze. O que exorta faça-o com dedicação” (2 Tm 4.2; Tt 2.6; Tt 2.15; Rm 12.8)
Tenho aprendido muitas coisas com a paternidade. Uma delas é zelar a todo segundo pela pessoinha que a gente ama. Minha filha de 11 meses está na fase de explorar o mundo. Mete o dedo em tudo, quer pegar tudo, puxa objetos perigosos para cima de si… para ela se machucar feio não custa. Aí o papai tem que ficar o tempo todo dizendo “não, filhinha, aí não pode”, “meu amor, não faz isso, vai se machucar”. “Não faça isso!”. E por aí vai. Você, por ser mais experiente, ter vivido mais, ter cometido os mesmos erros e se dado mal, sabe que não vai acabar bem. Como se pendurar nas cortinas. Aí você vai até ela e a pega no colo, mesmo contra a vontade da pequena.
“Não faça isso!”.
Ela se irrita, esperneia, se já falasse diria “não se mete, eu sei o que estou fazendo!”. Só que você, que já cometeu os mesmos erros, sabe que ela nem desconfia dos males, das dores e dos machucados que a  insistência dela vai gerar. Ou, se desconfia, acha que vai dar pra levar na boa. E aí, o que você faz? Insiste em exortá-la? Ou deixa a menina se arrebentar e aprender com os próprios erros? Pois é, essa é uma pergunta não só para se fazer nessas ocasiões com nossas crianças, mas para diferentes circunstâncias da vida de nós, adultos.
A Biblia manda nós exortarmos uns aos outros em amor, como os trechos acima mostram. No entanto, há pessoas que não gostam de ser admoestadas. Se você diz a ela “não faça isso” ela se irrita, afinal “ela não é criança e sabe muito bem o que está fazendo”. Isso acontece muito com os mais jovens – que, naturalmente, se veem como totalmente capazes de desprezar o conselho do mais velhos. Só que você, que é mais experiente, sabe que, se ela seguir por aquele caminho, vai andar em passos largos para o abismo. Vai se arrebentar. Afinal, você já trilhou aquele mesmissimo caminho. Sabe onde vai dar. Sabe as dores que vai provocar.
Mas… o politicamente correto diz para você não se intrometer, a vida não é sua. Às vezes até você já  alertou algumas (ou muitas) vezes, mas parece que a pessoa não consegue entender o mal que suas  decisões vão gerar.  Como se sua consciência estivesse cauterizada ou houvesse escamas sobre seus  olhos. Muitas vezes, são pessoas prestes a fazer coisas e tomar decisões que se tornarão males irreversíveis, que vão fazê-las sofrer pelo resto da vida. Elas parecem não compreender, enxergam beneficios em suas decisões, olham o abismo e juram de pés juntos que ali está a solução, que pisando no vazio vão seguir uma trilha excelente rumo ao futuro – mas você sabe o que vem pela frente. Você antecipa o trilho da cortina despencando na cabeça, o dedo ferido na tomada. E aí, o que fazer?
Você insiste na exortação, na esperança de que a pessoa enxergue o erro e desista de enfiar o dedo na  tomada ou acata o “eu sei o que estou fazendo”, põe sua violinha no saco e segue seu rumo, largando pra lá? “Bom, o azar é seu! Pode se pendurar na cortina, quando ela despencar na sua cabeça e fraturar seu crânio a gente conversa!”, dá vontade de dizer. Mas o seu amor pelo próximo não permite que você faça isso. Pois amor pressupõe respeitar o espaço do outro (e afinal o “outro” não é um bebê de 11 meses, é um adulto racional) ao mesmo tempo em que dá vontade de sacudir a pessoa pelos ombros e gritar:
“NÃO FAÇA ISSO! VOCÊ ESTÁ ESTRAGANDO SUA VIDA! PELO AMOR DE DEUS, SEJA FORTE E DESISTA DESSA IDEIA INSANA!!! NÃO FAÇA ISSO!!!”
Isso é o que dá vontade de fazer. Mas você não faz, porque quer ser politicamente correto e respeitar o espaço alheio. É uma equação difícil. O mais triste é que, em geral, vence o erro. A pessoa que você exortou insiste e segue sua vida, rumo à infelicidade. Em geral é o que acontece porque, no fundo, sempre a pessoa acha que com ela não vai acontecer.
É como o adolescente que já viu dezenas de outros beber, dirigir e bater com o carro. Mas com ele? “Não, comigo vai ser diferente, eu posso encher a cara e dirigir pra casa, nada vai acontecer”. No dia seguinte temos um pai e uma mãe aos prantos no necrotério, reconhecendo o corpo daquele jovem que sabia o que estava fazendo.
É engraçado isso. Parece que é algo que nasce com o ser humano. Vejo o comportamento da minha filhinha de 11 meses e comparo com o dos adultos que você está alertando, exortando, porque SABE no que vão dar as decisões dela e, embora o adulto diga “sei o que estou fazendo, não sou criança”, o paralelo é idêntico. Você já cometeu o erro. Já enfiou o dedo na tomada. Sente a dor da queimadura até hoje. Mas ninguém te dá ouvidos. Nem o neném. Nem o adulto.
Exortar em amor é bíblico. Mas é difícil. O outro não entende. Ou se vê acima dos riscos. E às vezes ainda joga na tua cara os erros que você cometeu no passado como forma de justificar os que ele vai cometer no futuro, em vez de usá-los como aprendizado. Mas uma coisa que aprendi com minha filha é que o amor faz você seguir exortando. Descobri que “NÃO FAÇA ISSO!” é uma frase que nasce do amor, por mais dura que seja e por pior a reação que ela possa gerar. O risco de tomar um “meta-se com a sua vida” vale a pena quando se preocupa com a pessoa. O problema é quando a pessoa parece não se preocupar consigo. Aí não há exotação que dê jeito.
Então você, que foi exortado por alguém mais experiente mas insiste no erro… não-faça-isso. Não brinque com a sorte. Não arrisque se pendurar na cortina ou enfiar o dedo na tomada achando que com você será diferente. Ouça a voz da experiência. E… não faça isso.
É tudo o que o meu amor e o meu cuidado podem te dizer. Agora, a decisão é sua.
Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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