Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas. Mas eles disseram: Não andaremos nele. Jr. 6:16

"Estou crucificado com Cristo" "Ich bin Mit Cruscificado Christus" "Yo estoy crucificado con Cristo" "Ik ben gekruisigd met Christus" "Я являюсь распят со Христом" キリストと共に十字架につけられています。Je suis crucifié avec le Christ 我是與基督釘在十字架上 אני ונצלב עם המשיח

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O ideal do ministério cristão

Por Eduardo Tracci
“O pastor necessita de duas vozes: uma para ajuntar as ovelhas, e outra para espantar os lobos e ladrões.”
A frase anterior foi escrita por um pastor reformado como parte de um comentário sobre o texto de Paulo em Tito 1.9. O homem que a escreveu é amplamente reconhecido como um grande teólogo e um excelente exegeta. Mas, antes de tudo, ele era um pastor amoroso que exerceu o pastorado durante vinte e sete anos em apenas duas igrejas. Sendo que, em uma delas ele pastoreou por quase vinte e cinco anos. O nome deste nobre pastor: João Calvino.
Depois de sua conversão, a ideia de Calvino não era exercer o ministério pastoral. Ele pensava que Deus o havia chamado para servir à Igreja através da literatura e por isso queria retirar-se à solidão e ao sossego para escrever sobre a fé cristã. Entretanto, quando ele reconheceu que Deus o estava chamando para pastorear um rebanho, ele se entregou completamente a este ministério, entendendo que a pregação era a sua principal missão como pastor. Ser um mestre da Bíblia proclamando-a fielmente era para Calvino o ideal do ministério pastoral. Como escreveu Steven J. Lawson em seu excelente livro A arte expositiva de João Calvino: “Calvino via o púlpito como sua responsabilidade mais importante, o principal trabalho de seu chamado pastoral. Assim, o magistral reformador entregou-se à exposição da Palavra como talvez nenhum outro na história o tenha feito. Ele estimou e exaltou a pregação bíblica ao nível da mais elevada importância, e também fez dela o seu compromisso vitalício.”
A responsabilidade do pastor com seu rebanho é dupla: ajuntar as ovelhas e repelir os lobos. Esta dupla responsabilidade é exercida através da pregação da Palavra de Deus, pois é através deste ato que o rebanho é verdadeiramente ajuntado e os lobos são realmente repelidos. Como escreveu Calvino: “A Escritura o mune [o pastor] com os meios de fazer ambas as coisas, e aquele que tem sido corretamente instruído nela será capaz tanto de governar os que são suscetíveis ao aprendizado quanto a refutar os inimigos da verdade.”
Quando o pastor prega, deve ter em mente sua responsabilidade de ajuntar, alimentar e cuidar do rebanho através da Palavra. Quantos rebanhos estão mal alimentados em nossos dias, porque seus pastores não entendem qual é sua missão. Alimentar as ovelhas com uma mensagem bíblica e cristocentrica é o ideal do ministério cristão.
Os pastores também devem entender que sua responsabilidade não termina aqui. Há também uma necessidade de, depois de haver ajuntado o rebanho, protegê-lo dos lobos e ladrões. Isto é o que se pode chamar de missão apologética do pastor. Se ele jamais prega contra as heresias e nunca expulsa os lobos através de sua pregação, o rebanho correrá um gravíssimo perigo. O pastor deve ser um apologista e deve estar preparado para defender a fé e combater os lobos e ladrões que querem arrebatar as ovelhas do verdadeiro caminho. Por outro lado, o pastor não deve pregar o tempo todo contra as heresias e distorções que assolam a igreja, porque senão as ovelhas não serão alimentadas. Deve haver um equilíbrio entre estas duas responsabilidades.
Se seguíssemos o exemplo do pastor João Calvino, que usava a pregação da Palavra para edificar e defender o rebanho, com certeza nós contemplaríamos um quadro totalmente diferente em nossas igrejas na atualidade. Atentemos para o que escreveu James Boyce: “Calvino não tinha nenhuma outra arma, exceto a Bíblia. Desde o principio, sua ênfase era o ensino da Bíblia. Ele pregava as Escrituras todos os dias; e, sob o poder dessa pregação, a cidade começou a ser transformada. Visto que as pessoas de Genebra adquiriram conhecimento da Palavra de Deus e foram mudadas por ela, a cidade se tornou como John Knox a chamou, uma Nova Jerusalém.”
Que Deus nos ajude a seguir este mesmo ideal e que o Senhor da obra levante mais homens como João Calvino em nosso meio.

Eduardo Tracci é pastor e diretor do Instituto Bíblico La Joya, no Peru.

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