Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas. Mas eles disseram: Não andaremos nele. Jr. 6:16

"Estou crucificado com Cristo" "Ich bin Mit Cruscificado Christus" "Yo estoy crucificado con Cristo" "Ik ben gekruisigd met Christus" "Я являюсь распят со Христом" キリストと共に十字架につけられています。Je suis crucifié avec le Christ 我是與基督釘在十字架上 אני ונצלב עם המשיח

segunda-feira, 5 de março de 2012

Cuidado com a Maledicência

“A língua de alguns homens morde mais do que seus dentes” C.H. Spurgeon

Tiago nos ensina que para alguém ser verdadeiro religioso precisa saber dominar a língua, do contrário "A religião desse é vã" (1:26). Quero neste artigo compartilhar algo que tenho aprendido com o Joseph Stowell[1] e que poderá nos auxiliar em muito sobre os mitos, razões, prejuízos e cura para a maledicência.


I. Os Mitos da maledicência.
Conhecer os mitos vai nos ajudar a vencer nossa tendência à maledicência e a não nos envolver em mexericos. Vamos aos mitos:


1) Maledicência é coisa de mulheres. Nada mais longe da verdade. Em nenhum lugar das Escrituras encontramos que a fofoca é exclusividade feminina. Stowell diz que a única diferença é que os homens chamam-na de “conversa fiada”, “bate papo” ou ainda, “resolver um assunto”.

2) O segundo mito é que se a informação é verdadeira podemos passá-la adiante.
A questão não é se é verdadeira, mas se edifica. À luz de Ef. 4:29 somos ensinados de que não deve “sair da nossa boca nenhuma palavra torpe, e sim, unicamente a que for boa para a edificação, e assim, transmita graça aos que a ouvem”.

3) Um terceiro mito –
“Este problema precisa de muita oração”. A fofoca vem muitas vezes vestida em uma roupa de “espiritualidade”. Atrás da frase “vou lhe contar isso, mas é apenas para você orar a respeito”, muitas vezes é apenas uma desculpa para satisfazer um espírito maledicente.

4) Um quinto e último mito é que
“as pessoas às quais eu conto nunca vão levar adiante”. Isto não é verdade. Elas disseram que não contariam para mais ninguém, tanto quanto você. E lembre-se de que “quem contar fofocas para você fofocará de você”


II. As razões da maledicência


Com alguma mudança, quero apresentar os mecanismos que segundo Joseph Stowell, alimentam a maledicência:

1) Curiosidade: Há uma curiosidade natural no ser humano por novidades, e nem sempre esta curiosidade é boa e construtiva. Por vezes, ela é ávida para descobrir e espalhar informações que prejudicam a imagem de outras pessoas. Will Rogers ironizou dizendo que “as pessoas só não gostam de fofocas quando são a respeito delas mesmas”

2) Ociosidade:
Pessoas com tempo de sobra têm tendência de se envolver em conversas que não edificam. Em I Tm 5:13 o apóstolo Paulo fala de algumas mulheres que andavam de “casa em casa sendo tagarelas e intrigantes falando o que não devem”. Pessoas desocupadas e que não têm o que fazer facilmente se tornam maledicentes.

3) Inveja.
O historiador Will Durant disse que “falar mal dos outros é uma maneira desonesta de nos elogiarmos”.

4) Amargura. (Pv 10:12; 30:33; Hb. 12:15). Um mexerico é um meio usado como válvula de escape natural de um espírito ferido. A ausência de perdão abre a porta para um espírito vingativo, e a maneira mais fácil e rápida para “matarmos” alguém é destruindo sua imagem perante outras pessoas. Como já disse Spurgeon, “ter uma língua é como ter dinamite entre os dentes”

5) Medo
(Nm 14:9-10). Nosso medo de perder posição, de não sermos reconhecidos ou quando sentimos que nossa segurança está ameaçada, reagimos atacando o caráter de alguém. Quando os israelitas ficaram com medo dos cananeus, criticaram e espalharam palavras duras e informações falsas.

III. Conseqüências da Maledicência.
As fofocas, dificilmente, têm propósito construtivo, educativo ou mesmo, corretivo. Há 3 conseqüências de imediato na vida de alguém que se envolve com a maledicência:


1) Prejudica nossa comunhão com Deus.
(Tg 4:11,12; Sl 15:1-3). A maledicência desqualifica-nos para a comunhão com Deus. Tiago nos ensina que aquele que se envolve com mexericos já está dando prova de que está alienado espiritualmente de Deus – “De uma só boca procede benção e maldição.... acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargo?”

O escritor J. S. Baxter disse: “Uma das primeiras coisas que acontece quando alguém está realmente cheio do Espírito Santo não é falar em línguas, ma, sim, aprender a dominar a língua que já tem”


2) Prejudica a própria imagem. ( Pv 25:9-10). O mexeriqueiro, corre o risco de ser taxado de fofoqueiro para o resto da vida. A fofoca é como um bumerangue (Pv. 30:10); tentando prejudicar a imagem de alguém, prejudicamos a nossa própria imagem. A mesma língua ferina, que critica e envenena as ações de outras pessoas, poderá voltar-se contra si mesmo e deixá-lo em apuros como crítico contumaz e insensato. "A boca do tolo é a sua própria destruição, e seus lábios, um laço para a sua alma". (Pv. 18.7)

3) Prejudica nossa comunhão com as pessoas.
(Pv 11:13; 20:19). As Escrituras nos ensinam que o mexeriqueiro não é digno de confiança, porque não sabe guardar um segredo. A bíblia nos orienta a evitar uma pessoa fofoqueira – “O mexeriqueiro revela o segredo; portanto, não te metas com quem muito abre os lábios” (Pv 20:19). O mexeriqueiro acaba separando os melhores amigos (Pv. 16:28) – cria desconfiança, levanta suspeitas e nos leva a duvidar da lealdade daquele que é nosso amigo. “O amor cobre todas as transgressões... mas o que traz o assunto a baila, separa os maiores amigos” (Pv 10:12; 17:9)

Conclusão:
A título de conclusão quero dar seis sugestões para se vencer a maledicência:

1) Se você deseja falar sobre o problema de um irmão, que seja com Deus. Leve o assunto em oração. I Pe 5:7.

2) Vá diretamente à pessoa acerca de quem você ouviu alguma coisa e procure ajudá-la (Gl 6:1; Mt 18:15) ou leve a informação aalguém que esteja em posição para ajudar (Mt 18:15-17; Rm 13:1-5).


3) Quando uma pessoa vier a você falando mal de outra, não demonstre aprovação para com o que está sendo dito nem incentive declarações adicionais sobre o assunto (I Ts 5:15; I Tm 5:22).

4) Quando se sentir tentado a expressar suas opiniões e versões publicamente, reflita e contenha o ímpeto de se expor desnecessariamente. “Se você pensar duas vezes antes de falar uma vez, falará duas vezes melhor” W.Penn


5) Charles Spurgeon orientava as pessoas a terem um ouvido surdo, e dizia: "Não dês o coração a todas as palavras ditas – não as leve ao coração ou não lhes dê importância, não atentes para elas, nem procedas como se as tivesse ouvido. Você não pode deter a língua das pessoas; portanto, a melhor coisa é deter os seus próprios ouvidos, e não ligar para o que digam. (Lições aos meus alunos – pg. 174 – PES)


6) Apresente sua mente, coração e língua a Deus. Paulo nos ensina a dedicar todo nosso corpo ao Senhor, e a língua faz parte (Rm 12:1,2). Frank E. Gaebelein escreveu: “Controle da língua? Isso nunca será conseguido a não ser que, em primeiro lugar, haja o controle do coração e da mente”


Que possamos orar como o salmista: "Põe, ó Senhor, uma guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios". (Sl 141:3)


Rev. Gildásio J. B. dos Reis
Este artigo foi inicialmente escrito e publicado na SAF em Revista – da Igreja Presbiteriana do Brasil
[1]
Stowell, Joseph M; Tongue in Check. Florida, USA. Victor Books. 1984.

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